Chegas ao fim do mês e a conta bancária está outra vez a zeros, à espera do próximo ordenado para respirar de alívio. Se te revês nesta descrição, não estás sozinha, nem isso representa uma falta de esforço ou capacidade da tua parte.
Segundo o estudo Gen Z and Millennial Survey 2025 da Deloitte, mais de metade dos jovens portugueses (52% dos millennials e 54% da geração Z) depende inteiramente do vencimento mensal, sem qualquer almofada financeira para imprevistos, e cerca de quatro em cada dez admite ter dificuldade em pagar as despesas básicas todos os meses.
Para as mulheres, este desafio tem uma camada extra. Em Portugal, a diferença salarial não ajustada entre homens e mulheres situava-se em 8,6% em 2023, mas quando se ajustam fatores como idade, escolaridade e antiguidade, um estudo do Observatório Género, Trabalho e Poder do ISEG mostra que o salário base das mulheres é, na realidade, 14,5% inferior ao dos homens. Menos rendimento à partida significa menos margem para poupar, o que torna o ciclo de viver "à justa" ainda mais difícil de quebrar. Perceber este contexto é o primeiro passo para deixares de te culpabilizar e começares a agir com informação real.



