Os números ajudam a explicar a urgência do tema. Em Portugal, o fosso salarial não ajustado entre homens e mulheres situava-se em 12,5% em 2023, com a remuneração base média das mulheres a ficar nos 1.124,9 euros mensais, contra 1.286,2 euros nos homens. Mesmo quando se comparam trabalhadores com funções, setores e antiguidade semelhantes, a diferença ajustada ronda os 8,4%, o que sugere que uma parte do fosso não se explica por fatores objetivos.
O impacto acumula-se ao longo da vida e agrava-se drasticamente na reforma. De acordo com dados oficiais mais recentes, em dezembro de 2024 os homens recebiam, em média, uma pensão de velhice de 786,17 euros, enquanto as mulheres ficavam pelos 452,09 euros, ou seja, uma pensão feminina que corresponde a apenas 57,5% da masculina.
A OCDE confirma esta tendência a nível internacional: o gender pension gap situava-se nos 23% em 2024 entre os países da organização, o que significa que, por cada euro recebido por um homem em pensão, uma mulher recebe, em média, 77 cêntimos. Portugal já teve valores piores (a diferença chegou a 35,6% em 2007), mas o fosso mantém-se estrutural.
Estas diferenças resultam de vários fatores combinados: salários mais baixos ao longo da carreira, carreiras contributivas mais curtas ou interrompidas, maior prevalência de trabalho a tempo parcial e concentração em setores historicamente menos valorizados. O resultado é que uma mulher precisa, em geral, de poupar de forma mais deliberada e mais cedo do que um homem para atingir o mesmo nível de segurança financeira na reforma.