A falta de educação financeira não é um problema abstrato. Na verdade, tem um preço muito real, e esse preço agrava-se com a idade. A diferença salarial entre homens e mulheres na União Europeia foi de cerca de 12% em 2023, mas essa disparidade transforma-se numa fenda ainda maior na reforma. Segundo dados da OCDE, o chamado gender pension gap situava-se nos 23% em 2024, o que significa que, por cada euro recebido por um homem em pensão, uma mulher recebe, em média, apenas 77 cêntimos.
Em Portugal, a situação tem vindo a melhorar de forma notável: em 2007 a diferença entre pensões era de 35,6%, e em 2024 desceu para os 23,2%, uma das maiores reduções registadas na Europa. Ainda assim, o fosso mantém-se, sendo explicado, em larga medida, por carreiras mais interrompidas (licenças de maternidade, trabalho a tempo parcial, pausas para cuidar de familiares) e por uma menor participação em produtos de poupança e investimento de longo prazo. A Eurostat confirma que, em 2024, o gap médio de pensão por género na UE rondava os 24,5%, com países como o Luxemburgo, a Holanda e a Áustria a registarem diferenças acima dos 35%.
Este ciclo de menor literacia financeira, menos investimento, menos poupança, e pensões mais baixas não se quebra sozinho. Quebra-se com informação, com prática e, sobretudo, com a criação de espaços onde as mulheres se sintam à vontade para perguntar, errar e aprender sobre dinheiro sem julgamento. Essa é uma das minhas missões.