Se a longevidade coloca as mulheres na posição de gerir o património familiar, a desigualdade salarial ao longo da vida deixa-as, muitas vezes, com menos recursos próprios para o fazer. Em Portugal, o salário base médio das mulheres é ainda 12,5% inferior ao dos homens, uma disparidade que se acumula ao longo de décadas de carreira.
Essa acumulação reflete-se, de forma ainda mais acentuada, nas pensões de reforma. De acordo com o relatório Pensions at a Glance 2025 da OCDE, a diferença entre as pensões de homens e mulheres em Portugal (o chamado gender pension gap) situava-se em 23,2% em 2024. O valor já foi bem pior: em 2007 chegava aos 35,6%, e Portugal está entre os países da OCDE onde esta diferença mais diminuiu na última década. Ainda assim, significa que, hoje, por cada 100 euros de pensão recebidos por um homem, uma mulher portuguesa recebe, em média, cerca de 77 euros.
Esta combinação (mulheres que vivem mais anos, mas com pensões e poupanças mais baixas) torna o planeamento sucessório não um luxo, mas uma ferramenta de proteção financeira essencial. Saber com antecedência que bens existem, como estão organizados e o que acontece a eles em caso de morte ou incapacidade é, muitas vezes, a diferença entre atravessar uma perda com segurança ou enfrentá-la também com aperto financeiro.