Dívidas

Paga a dívida do teu cartão de crédito em 5 passos

Sentes que a dívida do cartão de crédito nunca mais acaba? Descobre 5 passos práticos para a pagares de vez e recuperares o controlo das tuas finanças.

Mulher a fazer contas

Dívidas no cartão de crédito: o começo

Fazes as tuas compras habituais no supermercado, mas sentes que a conta só sobe, e o carrinho fica mais vazio a cada vez. Ou talvez estejas a planear a tua primeira grande viagem em anos, só para descobrires que o preço dos voos e hotéis está centenas de euros mais caro do que recordavas. Não é surpresa nenhuma que continuemos a lutar para controlar as despesas e a acumular níveis recorde de dívida em cartões de crédito.

É caro viver atualmente, e tem havido um aumento generalizado no preço dos bens de consumo. Mas não podemos depender do crédito, especialmente quando não temos como o pagar. É importante lidar com essa dívida o mais cedo possível, antes de ficares refém de demasiados juros.

Mas se estás decidida a pagá-la, já deste o primeiro passo, que é o mais importante de todos. Quanto ao restante, aqui ficam cinco passos que podes seguir para levares esse saldo a zero.

1. Deixa de usar o cartão

Pode parecer óbvio, mas vale a pena relembrá-lo. Atacar os teus cartões de crédito com uma tesoura pode parecer um pouco dramático, mas é um método eficaz e testado para eliminar a tentação de os usar. Também podes simplesmente tirar os cartões da carteira e guardá-los num sítio de difícil acesso.

Seja qual for o método, o mais importante é impedires-te de continuar a acumular mais dívida. Depois de teres os cartões fora de alcance, olha com atenção para os teus padrões de gastos. Antes de confirmares qualquer compra maior, faz uma pausa e pergunta a ti mesma: "Tenho este dinheiro disponível no banco para gastar agora mesmo?". Se percebes que gastas consistentemente mais do que ganhas, esta é uma boa altura para reveres o teu orçamento (ou de criares um, se ainda não o tens).

2. Ataca a dívida com maiores juros primeiro

Assim que estiveres em posição de destinar dinheiro ao pagamento da dívida, verifica a taxa de juro (TAEG) de cada cartão que tens. Nos últimos anos, as subidas das taxas de juro de referência do Banco Central Europeu fizeram também subir as TAEG dos cartões de crédito em Portugal, que atualmente rondam frequentemente os 15% a 20%.

Por isso, se não verificas a TAEG há algum tempo, esta é uma boa altura para o fazeres. A partir daí, podes construir o teu plano de pagamento e definir prioridades. O mais eficaz é começares por eliminar a dívida com a taxa de juro mais alta: afinal, é essa que te está a custar mais dinheiro, por isso, livra-te dela primeiro e segue depois para as restantes.

Este método é conhecido como "avalanche", e ao focares-te no cartão com a taxa de juro mais alta, garantes que mais do teu dinheiro vai diretamente para reduzir o capital em dívida o mais depressa possível. Mas não te esqueças de continuar a fazer os pagamentos mínimos nos outros cartões. Deixar de pagar por completo pode expor-te a comissões por atraso, desencadear taxas de juro ainda mais altas e prejudicar o teu histórico de crédito.

3. Se estás com dificuldade, contacta quem emitiu o cartão

Se costumas ser cumpridora nos teus pagamentos, mas atravessaste recentemente um período difícil, contacta o teu banco ou a entidade emissora do cartão para veres se conseguem oferecer-te algum tipo de apoio. Se houver circunstâncias específicas a afetar as tuas finanças (um despedimento, uma doença, etc.), não deixes de as mencionar.

Se tiveres, até esse momento, um bom histórico com essa entidade, é provável que estejam disponíveis para negociar contigo. Afinal, o que os bancos querem é que a tua conta se mantenha regularizada, e o objetivo deles é receber o que lhes é devido, por isso também é do interesse deles chegarem a um entendimento.

Podes pedir que dispensem uma comissão por atraso, que te ofereçam uma taxa de juro mais baixa, ou até que criem contigo um plano de pagamento personalizado. Durante a negociação, destaca o teu histórico de pagamentos pontuais ou de saldo baixo, o que pode jogar a teu favor.

4. Pensa se faz sentido uma consolidação de crédito

A consolidação de créditos pode ser uma boa opção para pagares a tua dívida, desde que saibas exatamente a que te estás a comprometer. O processo consiste em contratar um novo empréstimo pessoal, normalmente com uma taxa de juro mais baixa do que a dos teus cartões de crédito, e usar esse dinheiro para liquidar as dívidas que tens espalhadas por vários cartões ou créditos pessoais.

No final, ficas apenas com uma prestação mensal fixa a pagar, o que facilita a gestão do orçamento. O teu objetivo deve ser garantir que a taxa de juro do novo empréstimo é claramente mais baixa do que a média das taxas que estavas a pagar antes, caso contrário, a consolidação pode não valer a pena.

É também fundamental teres em conta comissões associadas à abertura do novo crédito, bem como eventuais penalizações por amortização antecipada dos créditos anteriores. É fundamental leres bem a documentação.

Uma consolidação de créditos só funciona se, depois de a fazeres, conseguires manter a disciplina de não voltares a acumular dívida nos cartões que entretanto ficaram livres. Antes de optares por esta solução, reflete sobre o teu próprio padrão de gastos. Consegues comprometer-te a não voltar a usar os cartões de crédito para além do que consegues pagar?

Se sim, compara diferentes ofertas de consolidação de créditos junto de vários bancos, e faz as contas para perceberes se, no total, vais mesmo pagar menos juros do que continuando com os cartões separados.

5. Pensa duas vezes antes de escolheres novos cartões

Eventualmente, podes encontrar um cartão que te faça sentir tentada. Por exemplo, os cartões com benefícios (como milhas, cashback ou descontos em viagens) podem ser uma boa forma de obter algumas vantagens extra, mas nunca deves gastar mais do que podes pagar só para conseguires um bónus de adesão ou benefícios de que talvez nem precises.

Alguns destes cartões têm ainda anuidades que podem representar dezenas ou centenas de euros por ano, e os créditos de viagem ou o cashback que recebes podem não compensar esse custo, dependendo do teu estilo de vida.

O mais importante é perceberes se este tipo de cartão realmente faz sentido para a vida que levas. As recompensas não têm qualquer valor se estiveres a ultrapassar o teu limite de utilização de crédito, se acabares com um saldo elevado todos os meses, ou se a taxa de juro for alta.

Concluindo

Sair da dívida do cartão de crédito não acontece da noite para o dia, mas cada um destes passos aproxima-te do objetivo. Cortar o acesso fácil ao cartão, atacar primeiro a dívida com a taxa de juro mais alta, falar abertamente com o teu banco, avaliar bem se uma consolidação de créditos faz sentido para ti, e seres criteriosa com cartões de recompensas: tudo isto, em conjunto, faz a diferença.

O mais importante é não teres pressa nem culpa. Não chegaste a esta situação de um dia para o outro, e também não vais sair dela de um dia para o outro. O essencial é teres um plano e manteres-te fiel a ele, mesmo que o progresso pareça lento às vezes.

E se, em algum momento, sentires que a dívida se está a tornar demasiado grande para gerires sozinha, procurar ajuda de um profissional (seja o teu banco, um consultor financeiro ou até uma associação de apoio ao consumidor) não é fracasso. É só mais um passo inteligente rumo ao teu objetivo.

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