Aqui entra a parte interessante: não se trata apenas de "força de vontade", mas de como o cérebro humano lida com decisões financeiras repetidas. Um dos estudos mais citados em economia comportamental é o de Richard Thaler e Shlomo Benartzi, que criaram o programa "Save More Tomorrow", desenhado para aumentar automaticamente a percentagem poupada por trabalhadores sempre que recebiam um aumento salarial. Os resultados, publicados no Journal of Political Economy e resumidos neste artigo científico, mostraram que as taxas de poupança dos participantes subiram de cerca de 3,5% para 13,6% do rendimento ao longo de quatro anos, apenas por a poupança ter sido tornada automática em vez de depender de uma decisão consciente a cada mês.
A explicação é simples: quando a poupança acontece automaticamente, deixa de competir com as pequenas tentações do dia-a-dia. Já não é preciso decidir, todos os meses, "poupo ou não poupo", porque a decisão foi tomada uma vez, no início, e o sistema trata do resto. É o mesmo princípio que torna a inscrição automática em planos de reforma tão mais eficaz do que pedir às pessoas que se inscrevam por iniciativa própria.