Existem razões estruturais que tornam este assunto especialmente relevante para as mulheres. De acordo com um artigo do Jornal Económico sobre gestão de património, estima-se que em 2025 as mulheres controlassem cerca de 35% de todo o património privado investível a nível mundial, uma fatia que tem crescido mais depressa do que a dos homens, muito por via de heranças, divórcios e do facto de, em média, viverem mais tempo.
Ao mesmo tempo, várias mulheres continuam a ficar de fora das decisões de investimento, um hábito herdado de gerações anteriores em que essa tarefa era tipicamente "coisa de homem". O resultado é um enorme potencial por explorar: mais património nas mãos das mulheres, mas ainda pouca participação ativa na gestão desse dinheiro.
E há um dado que vale a pena reter: quando investem, as mulheres tendem a sair-se muito bem. Um estudo da Warwick Business School, que acompanhou 2.800 investidores durante três anos, concluiu que as carteiras geridas por mulheres renderam, em média, 1,8% ao ano mais do que as dos homens, além de terem batido o próprio índice FTSE100 de Londres. Um outro estudo da gestora Fidelity, que analisou milhões de contas de clientes ao longo de dez anos, chegou a uma conclusão semelhante: as mulheres superaram os homens em cerca de 0,4 pontos percentuais de retorno anual.
A explicação não tem a ver com sorte. Os mesmos estudos apontam que as mulheres negoceiam com menos frequência (menos 45% de operações, segundo a Warwick), mantêm os investimentos durante mais tempo e evitam apostas especulativas de curto prazo. Ora, esta é exatamente a filosofia por trás do investimento em dividendos: escolher empresas sólidas e manter as ações a longo prazo, deixando o tempo e os lucros distribuídos trabalharem a teu favor.