Investimento

Investir cedo: o guia de investimento para adolescentes e jovens

Neste guia prático, podes descobrir porque é que começar cedo faz a diferença, o que diz a investigação e como dar os primeiros passos.

três jovens a olhar para um computador

Investir ainda jovem

Ainda há quem associe investir a algo distante, complicado ou "coisa de homens de fato e gravata". Mas os números contam outra história: quanto mais cedo uma rapariga começa a fazer o dinheiro trabalhar por ela, maior a vantagem que constrói ao longo da vida.

Este guia explica porque é que começar jovem importa tanto, o que a investigação diz sobre mulheres e dinheiro, e como dar os primeiros passos de forma informada.

As mulheres e o dinheiro em Portugal

Em Portugal, os dados não são animadores. O quarto Inquérito à Literacia Financeira da população portuguesa, feito pelo Banco de Portugal, mostra que as mulheres continuam abaixo da média nacional em literacia financeira, a par de grupos com menor escolaridade e rendimento. O mesmo inquérito revela que apenas uma pequena fração da poupança dos portugueses vai parar a instrumentos de maior risco, como ações ou fundos de investimento, sendo que a esmagadora maioria fica em contas à ordem, depósitos a prazo ou até em casa.

Um inquérito da CMVM à população universitária confirma o padrão: entre os inquiridos, as pessoas que se identificam como mulheres revelam menor tolerância ao risco financeiro do que os homens, embora os mais jovens, em geral, tendam a tolerar mais risco do que os mais velhos. Um estudo sobre literacia financeira dos investidores no mercado português, feito nos 30 anos da CMVM, chegou a uma conclusão direta: as mulheres investem menos do que os homens.

Este padrão não é exclusivo de Portugal. Um estudo académico publicado na Review of Financial Studies mostra que as mulheres solteiras participam menos no mercado acionista do que os homens solteiros e, quando investem, alocam uma fatia menor da carteira a ativos de risco, o que, ao longo de décadas, se traduz em menos riqueza acumulada.

Segundo a análise da CNBC sobre um relatório da BNY Mellon, se as mulheres investissem à mesma taxa que os homens, existiriam mais 3,22 biliões de dólares em ativos geridos por investidores privados. É dinheiro que fica por render.

Porquê começar cedo?

A boa notícia é que a idade em que se começa a investir pesa mais do que o montante inicial. Isto deve-se aos juros compostos: os rendimentos gerados pelo investimento passam também a gerar rendimentos, criando um efeito bola de neve.

Um exemplo prático mostra isso bem: investir apenas 5€ por dia a partir dos 20 anos, com um retorno médio anual de 8%, pode crescer para cerca de 228 mil euros aos 50 anos, enquanto que começar apenas aos 30 anos reduz esse valor final para cerca de 28 mil euros, mesmo investindo o mesmo montante mensal. Dez anos de diferença no início fazem uma diferença brutal no resultado final, precisamente porque o tempo é o ingrediente que os juros compostos mais aproveitam.

Para uma adolescente ou jovem no início da vida ativa, isto é uma vantagem enorme: tempo é algo que, nesta fase, te sobra, mesmo que o dinheiro disponível seja pouco.

As mulheres tendem a ser boas investidoras

Apesar de investirem menos, quando o fazem, os resultados costumam ser sólidos. Segundo dados compilados pela Motley Fool a partir de estudos como os da Vanguard e da Warwick Business School, as mulheres investem menos vezes do que os homens, mas tendem a obter retornos mais elevados quando o fazem, em grande parte por serem menos propensas a negociar impulsivamente ou a vender em pânico durante quedas de mercado.

Ou seja: a cautela que muitas vezes afasta as mulheres de começar a investir é a mesma caraterística que, uma vez lá dentro, costuma jogar a seu favor.

Como podes começar

  • Guarda sempre uma reserva à parte primeiro. Se já tens despesas fixas (renda, transportes, faculdade), o ideal é ter três a seis meses guardados numa conta acessível antes de investir. Se ainda vives com os pais e o teu "rendimento" é a mesada ou um part-time, o mesmo princípio aplica-se em pequeno: guarda sempre uma parte à parte para teres sempre à mão, e investe apenas o que sobra.
  • Aprende o básico sem pressa. Não é preciso ser especialista para começar: perceber o que são ações, obrigações, ETFs e fundos de investimento já é um bom ponto de partida.
  • Começa pequeno e automatiza. Muitas plataformas permitem investir a partir de poucos euros por mês através de planos de investimento programado.
  • Diversifica. ETFs (fundos indexados) são uma forma simples e de baixo custo de investir num conjunto alargado de empresas, reduzindo o risco de apostar tudo numa só ação.
  • Pensa em prazos longos. Investir não é para o dinheiro que possas precisar já amanhã, é para objetivos a cinco, dez ou trinta anos.
  • Se és menor de idade, fala SEMPRE com os teus pais ou encarregados de educação: em Portugal, contas de investimento e de títulos para menores exigem, regra geral, autorização e supervisão de um adulto responsável. Mantém os teus pais ao corrente do que fazes.

Erros a que deves estar atenta

Adiar o início "até se saber mais" costuma ser o erro mais caro de todos, até porque se aprende muito ao investir pouco e cedo. Guardar tudo numa conta poupança que rende pouco ou nada, com a inflação a corroer o valor real do dinheiro, é outro erro frequente. E deixar-se levar por modas de investimento sem perceber os riscos é tão arriscado como não investir de todo.

Resumindo

Os dados são claros: em Portugal e no resto do mundo, as mulheres investem menos do que poderiam, não por falta de capacidade, mas por menor confiança e menos exposição a este tema desde cedo.

Inverter isso começa por um passo simples: aprender, começar pequeno e deixar o tempo fazer o trabalho pesado. A mudança começa sempre por nós!

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