Dívidas

Consolidação de créditos: tudo o que precisas de saber

Estás a pensar juntar as tuas dívidas num só empréstimo? Neste artigo, explico-te como funciona a consolidação de créditos, vantagens e riscos a considerar.

mulher a olhar para o mar

Consolidação de crédito: será que te pode ajudar?

A consolidação de créditos pode ajudar-te a pagar o que deves de forma mais rápida e conveniente, com um único pagamento em vez de vários. Mas se escolheres o método errado, podes acabar por perder dinheiro e ficar ainda mais endividada.

O primeiro passo é perceberes o que é (e o que não é) a consolidação de créditos. Depois, precisas de decidir se faz sentido para ti, e como escolher o melhor método. Por fim, precisas de comparar bem as opções no mercado. Mas não te preocupes, porque neste artigo dou-te uma base para começares.

Aprende os termos corretos

Consolidação de créditos significa substituir várias dívidas mais pequenas por uma única, maior, como, por exemplo, reunir a dívida de vários cartões de crédito e créditos pessoais num único empréstimo. Assim, passas a fazer um único pagamento por mês, em vez de vários. Idealmente, também pagarás menos juros no total, e conseguirás liquidar a dívida mais depressa.

Aconselhamento de crédito ou apoio ao sobre-endividamento significa recorrer a uma entidade especializada, como a DECO PROteste ou o Gabinete de Apoio ao Sobreendividamento, que te ajuda a criar um plano para pagares aos teus credores, por vezes negociando condições mais favoráveis em teu nome.

Estas entidades também podem ajudar-te a ativar o PERSI (Plano de Ação para o Risco de Incumprimento), um mecanismo que os bancos são obrigados por lei a disponibilizar a clientes em risco de incumprimento, e que obriga a instituição a apresentar-te propostas de renegociação antes de avançar para outras medidas, como o incumprimento formal ou a execução da dívida.

Negociar diretamente com os credores para pagares um valor menor do que o que realmente deves é uma prática pouco comum e mal regulada em Portugal, ao contrário do que acontece nos EUA. Se estiveres numa situação de sobre-endividamento grave, a via mais segura e estruturada é procurar apoio junto das entidades acima, ou, em casos mais extremos, avaliar com um advogado a possibilidade de recorrer à insolvência de pessoas singulares.

Conhece as tuas opções

  1. Cartão de Crédito com Taxa Reduzida

Se tiveres um bom histórico de crédito, podes tentar negociar com o teu banco uma taxa de juro mais baixa no cartão que já tens, ou candidatar-te a um novo cartão com condições mais vantajosas. Presta atenção a quanto tempo dura essa taxa reduzida, já que raramente é fixa para sempre.

  1. Empréstimo Pessoal

Um crédito pessoal de consolidação pode ajudar-te a pagar a tua dívida, normalmente com taxa e prestação fixas, ao longo de um período que costuma variar entre um a dez anos. Não exigem qualquer bem como garantia, por isso costumas precisar de um perfil de crédito razoável para conseguires aprovação, o que, em Portugal, é avaliado pelo banco com base no teu Mapa de Responsabilidades de Crédito (disponível gratuitamente através do site do Banco de Portugal) e na tua taxa de esforço (a percentagem do teu rendimento que já está comprometida com prestações de crédito).

Quanto melhor for o teu histórico e mais baixa a tua taxa de esforço, menor tende a ser a taxa de juro que te é oferecida. Ainda assim, mesmo conseguindo uma taxa mais baixa do que a que pagas atualmente, podes acabar por pagar mais no total se escolheres um prazo de reembolso mais longo em vez de um mais curto.

  1. Crédito com Garantia Hipotecária

Estes créditos são garantidos por um bem, normalmente a tua casa; é o que se chama um crédito consolidado com garantia hipotecária. Evita créditos garantidos pelo teu carro ou outros bens de valor reduzido, e desconfia sempre de instituições que ofereçam condições pouco transparentes ou juros muito elevados.

Tem em conta que, ao pedires um crédito com garantia da tua casa, arriscas perdê-la se não conseguires cumprir os pagamentos. Além disso, estás a substituir dívida que, em situações extremas, poderia ser objeto de um processo de insolvência mais simples, por uma dívida garantida por um bem concreto, o que muda significativamente o teu nível de risco.

Compreende a tua situação

Ao contrário do que acontece nos EUA, em Portugal não existe um "credit score" numérico único. O que existe é o teu Mapa de Responsabilidades de Crédito, disponível gratuitamente e a qualquer momento através do site do Banco de Portugal (é necessário autenticares-te com Chave Móvel Digital, Cartão de Cidadão ou credenciais bancárias).

Este documento lista todos os teus créditos ativos, como cartões de crédito, créditos pessoais, crédito habitação, e é o documento de referência que qualquer banco vai consultar quando avaliar um pedido de crédito teu.

Além do Mapa de Responsabilidades, os bancos avaliam também a tua taxa de esforço, ou seja, que percentagem do teu rendimento mensal já está comprometida com prestações de crédito. Regra geral, quanto mais baixa for essa percentagem, maiores são as tuas hipóteses de conseguires um crédito com boas condições.

Compara as diferentes instituições de crédito

Podes comparar ofertas de cartões de crédito e créditos pessoais em vários simuladores e comparadores online disponíveis em Portugal, como o portal DECO PROteste ou o simulador de crédito do Banco de Portugal, que te ajudam a perceber as condições típicas do mercado.

As cooperativas de crédito agrícola mútuo e algumas instituições mais pequenas tendem a ter boas taxas e um atendimento mais próximo, por isso vale a pena começares por aí a tua pesquisa de créditos pessoais. Não fiques por aí, no entanto: compara também com o teu banco habitual e com outras instituições de crédito ao consumo presentes em Portugal.

Se precisares de apoio para organizares o teu orçamento ou perceberes qual a melhor solução para o teu caso, podes recorrer a uma entidade de apoio ao consumidor, como a DECO PROteste.

Atenção: consolidação de créditos não é para todos os casos!

Muitas pessoas só consideram a consolidação de créditos quando já estão em dificuldades sérias, e nessa altura pode já ser tarde demais. Se alguma das seguintes situações se aplicar a ti, deves procurar outras soluções, além da consolidação de créditos:

  1. Tens um histórico de crédito fraco

Um Mapa de Responsabilidades com incumprimentos registados ou uma taxa de esforço muito elevada reduzem drasticamente as tuas opções. Se ainda assim encontrares uma instituição disposta a emprestar-te dinheiro, o mais provável é enfrentares taxas de juro elevadas, ou, na pior das hipóteses, caíres nas mãos de uma instituição pouco transparente ou fraudulenta.

  1. A tua dívida ultrapassa metade do teu rendimento

Se não conseguires pagar as tuas dívidas de consumo dentro de cinco anos, pode fazer mais sentido avaliares a possibilidade de insolvência de pessoas singulares junto de um advogado especializado. Quando os teus cartões de crédito, créditos pessoais e outras dívidas ultrapassam metade do teu rendimento, torna-se cada vez menos provável que consigas pagá-las na totalidade.

  1. Já foste alvo de uma ação judicial por causa da tua dívida

Precisas de contactar já um advogado especializado em insolvência e sobre-endividamento. Mesmo que não tenhas intenção de avançar com um processo de insolvência, precisas de aconselhamento jurídico sobre os próximos passos.

Conclusão

Se a consolidação de créditos ainda for uma opção viável para ti, o primeiro passo é perceberes o que te levou a gastar mais do que devias. Se não resolveres esse problema de base, a consolidação de créditos não vai resolvê-lo, e vais simplesmente acabar por acumular dívida nova sobre a antiga.

Por isso, precisas de criar um orçamento, cortar despesas desnecessárias, e garantir que consegues sustentar o teu dia-a-dia (e ainda poupar para a reforma) enquanto continuas a pagar a tua dívida.

Se precisares de ajuda com o teu orçamento, podes recorrer a uma entidade de apoio ao consumidor e aconselhamento financeiro, para que estas te possam aconselhar em relação ao teu caso específico.

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