Investimento

Aprende tudo sobre os juros compostos

Descobre como funcionam os juros compostos, porque são uma ferramenta financeira poderosa e como começar a usá-los hoje, mesmo com pouco dinheiro.

moedas e sinal de percentagem sobre fundo vermelho

Para começar

Há uma frase, frequentemente atribuída a Albert Einstein (embora não exista confirmação histórica de que a tenha realmente dito), que descreve os juros compostos como a força mais poderosa do universo.

Seja ou não da autoria do físico, a ideia por trás dela é real e comprovada pela matemática: o dinheiro que investes hoje pode multiplicar-se de forma exponencial ao longo dos anos, sem que precises de continuar a colocar mais dinheiro para isso acontecer. E para as mulheres, que em Portugal ainda enfrentam desafios adicionais no acesso à informação financeira e na construção de património, perceber este conceito pode ser o ponto de partida para mudar toda a relação com o dinheiro.

O que são juros compostos?

Os juros simples calculam-se sempre sobre o valor inicial que investiste. Os juros compostos, pelo contrário, são calculados sobre o valor inicial mais todos os juros que já ganhaste anteriormente. Por outras palavras, os teus juros começam também a gerar juros.

Imagina que investes 1.000 euros a uma taxa anual de 6%. No final do primeiro ano, tens 1.060 euros. No segundo ano, os 6% já não incidem apenas sobre os 1.000 euros iniciais, mas sobre os 1.060 euros, o que te dá 1.123,60 euros. Parece pouco no início, mas ao final de 30 anos, sem juntares um único euro extra, esses 1.000 euros transformam-se em quase 5.750 euros. Se, todos os meses, acrescentares uma pequena quantia a essa poupança, o resultado torna-se ainda mais expressivo.

Este efeito de "bola de neve" é a razão pela qual começar cedo é frequentemente mais importante do que investir grandes quantias. Alguém que invista 100 euros por mês a partir dos 25 anos, a uma rentabilidade média de 6% ao ano, chega aos 65 anos com um capital acumulado consideravelmente superior ao de alguém que começa a investir a mesma quantia apenas aos 35 anos, mesmo que este último continue a investir durante mais dez anos consecutivos no final da vida ativa. A diferença não está no valor investido, mas no tempo que o dinheiro teve para trabalhar sozinho.

Porque é que isto é relevante para mulheres?

Os dados mostram que ainda existe um longo caminho a percorrer. Um estudo divulgado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários no âmbito dos seus 30 anos revela que a maioria dos investidores portugueses continua a ser composta por homens, com as mulheres a demonstrarem maior aversão ao risco e menor confiança na hora de tomar decisões de investimento. Uma investigação mais recente sobre literacia financeira em Portugal confirma esta tendência, apontando que o género feminino apresenta, em média, menos conhecimentos financeiros do que o masculino, ainda que adote comportamentos mais cautelosos e prudentes na gestão do dinheiro.

Esta menor exposição ao investimento tem consequências que se prolongam até à reforma. Segundo dados recentes da OCDE, a diferença média entre as pensões recebidas por homens e mulheres nos países da organização situava-se em 2024 nos 23%, o que significa que, por cada euro que um homem recebe de pensão, uma mulher recebe, em média, apenas 77 cêntimos. Em Portugal, esta disparidade tem vindo a diminuir de forma consistente, tendo passado de 35,6% em 2007 para 23,2% em 2024, mas continua a refletir desigualdades acumuladas ao longo de toda a vida ativa, nomeadamente através de carreiras interrompidas por maternidade, trabalho a tempo parcial e salários mais baixos.

A Autoridade Europeia dos Seguros e Pensões Complementares de Reforma sublinha ainda que fatores comportamentais, como a maior aversão ao risco e o curto prazo na gestão do dinheiro, levam as mulheres a investir menos em produtos de poupança-reforma voluntários, o que agrava ainda mais o fosso nas pensões. É precisamente aqui que os juros compostos ganham um papel decisivo: quanto mais cedo uma mulher começar a investir, mesmo que com valores modestos, maior será a margem para compensar estas desigualdades estruturais ao longo da vida.

Deixa os juros trabalharem a teu favor

Não é preciso ser especialista em finanças nem dispor de grandes quantias para começar. Estes são alguns passos práticos:

  • Começa já, mesmo que com pouco. O tempo é o fator mais determinante nesta equação. Vinte euros investidos hoje valem mais do que duzentos investidos daqui a dez anos.
  • Automatiza a poupança. Define uma transferência mensal automática para uma conta de investimento, para que o hábito não dependa da tua força de vontade.
  • Reinveste os rendimentos. Sempre que possível, escolhe opções que reinvistam automaticamente os juros ou dividendos, em vez de os levantares.
  • Diversifica os investimentos. Fundos indexados, certificados de aforro, PPR ou ETFs são pontos de partida comuns para quem está a dar os primeiros passos.
  • Informa-te continuamente. Ler sobre finanças pessoais, seguir fontes credíveis e perguntar sem receio são formas de reduzir a insegurança que ainda afasta muitas mulheres do investimento.

Deixa o tempo atuar

Os juros compostos não exigem sorte, nem grandes rendimentos, nem conhecimentos avançados de economia. Exigem, sobretudo, tempo e consistência. Para as mulheres, que continuam a partir de uma posição estruturalmente mais frágil no que toca a pensões e património acumulado, compreender e aproveitar este mecanismo pode ser uma das decisões financeiras mais transformadoras que podem tomar. Quanto mais cedo começares, menos vais precisar de investir para chegares mais longe.

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