Poupança

Ainda não comecei a poupar para a reforma. E agora?

Achas que já perdeste o comboio da poupança-reforma? Vou-te explicar porque é que nunca é realmente tarde demais para começar, e como podes fazê-lo.

casal idoso sentado em um banco

Poupar para a reforma

Num mundo ideal, começarias a poupar para a reforma logo com o teu primeiro salário e manterias esse hábito até ao dia em que deixasses de trabalhar. Mas essa não é a realidade para muita gente. Há inúmeras razões pelas quais muitas pessoas não têm dinheiro suficiente poupado para se reformarem confortavelmente. Talvez tenhas sofrido um revés financeiro (ou vários), tenhas tirado tempo do trabalho para cuidar de alguém, ou tenhas feito sacrifícios para pagar os estudos dos teus filhos. Seja qual for o motivo, a boa notícia é que nunca é tarde demais para reforçar a tua poupança-reforma. Para quem está a lidar com este objetivo mais tarde na vida, aqui ficam sete dicas para teres sucesso.

Mantém-te realista

Pode ser deprimente, mas provavelmente vais precisar de rever a tua ideia de reforma "ideal" e ser realista sobre o que precisas de fazer para teres rendimento suficiente para viver confortavelmente durante décadas. Isto pode significar reduzir o teu padrão de vida, mudar para uma casa mais pequena (ou arrendar, mudar-te para casa de família, ou para uma zona mais barata), trabalhar mais tempo, ou até trabalhar a tempo parcial já depois de reformada. Aproveita algumas ideias do movimento FIRE (sigla para "Financial Independence, Retire Early", ou, traduzindo para português, "Independência Financeira, Reforma Antecipada") para construíres a tua própria narrativa sobre como queres viver, tanto agora como no futuro.

Cria um plano

Existem várias calculadoras gratuitas de planeamento de reforma online que te podem ajudar a perceber quanto precisas de poupar para sustentar o rendimento que queres ter na reforma. A própria Segurança Social disponibiliza uma ferramenta oficial e gratuita, o Simulador de Pensões, acessível através da Segurança Social Direta (precisas do teu NISS e password, ou podes entrar com a Chave Móvel Digital ou Cartão de Cidadão).

Depois de entrares, vais a "Pensões" → "Simulador de Pensões", onde podes escolher entre uma simulação automática (mais rápida, com base nos teus descontos já registados) ou uma simulação à medida, que te permite testar cenários diferentes, como uma reforma antecipada. Usa-a para obteres uma estimativa realista da idade em que te podes reformar e do valor bruto da tua futura pensão, e identificares eventuais lacunas na tua poupança.

Se preferires uma ferramenta mais generalista, ou quiseres complementar com outras fontes de rendimento (como poupanças pessoais ou PPR), há também calculadoras gratuitas disponíveis nos sites de vários bancos e plataformas de literacia financeira (quem sabe, no futuro, encontres algo assim no Finanças no Feminino!). Se o planeamento sozinha te deixa nervosa, pode valer a pena pagar a um consultor financeiro certificado para te ajudar a criar um plano personalizado.

Livra-te das dívidas

Se tens dívidas incómodas em cartões de crédito com juros altos, torna prioritário liquidá-las. Embora os créditos de consolidação de dívida sejam tentadores, podem ter comissões elevadas e um processo de candidatura complicado. Em vez disso, começa por organizar as tuas dívidas por ordem de prioridade e cria um plano simples para as pagares. Vais poupar potencialmente milhares de euros que podes, em vez disso, direcionar para contas de poupança-reforma.

Começa a poupar

Não percas tempo com culpa ou arrependimento. Foca-te apenas em recuperar terreno. Tenta poupar pelo menos 10% do teu rendimento atual de forma regular, embora 20% fosse o ideal. Se possível, configura uma transferência automática mensal da tua conta bancária para uma conta de poupança-reforma, para te obrigares a poupar em vez de gastar. Depois de teres eliminado as dívidas com juros altos, compromete-te a poupar pelo menos 80% de qualquer rendimento extra, como bónus, reembolsos de IRS, heranças ou prémios de lotaria (sim, sonhar é grátis).

Começa a investir

Investir em ações continua a ser a melhor hipótese que a maioria de nós tem para fazer crescer o dinheiro e ultrapassar a inflação. Alguns consultores financeiros recomendam uma regra simples para decidires a tua alocação de investimentos: usar a tua idade como referência para a percentagem da tua carteira que deve estar em investimentos menos arriscados, como obrigações.

A fórmula é esta:

% em obrigações (investimentos menos arriscados) = a tua idade

% em ações = 100 − a tua idade

Por exemplo, se tens 57 anos, terias 57% da tua carteira em obrigações e 43% em ações. Se tens 30 anos, a regra sugeriria 30% em obrigações e 70% em ações. Esta é apenas uma regra de referência, não uma verdade absoluta.

Alguns consultores argumentam que esta fórmula ainda é demasiado conservadora, especialmente com o aumento da esperança de vida, e defendem versões alternativas, como "110 menos a idade" ou "120 menos a idade", que resultam numa percentagem maior investida em ações. Outros defendem que a fórmula original ainda é sensata, sobretudo para quem tem menos tolerância ao risco.

Seja qual for a alocação que acabes por escolher, garante que a tua carteira está diversificada e contém uma variedade de investimentos de diferentes classes de ativos, para distribuir e reduzir o risco. E se não te sentires confortável a tomar as tuas próprias decisões de investimento, consulta um consultor financeiro certificado.

Atrasa a reforma

Uma das formas mais simples de reforçar a tua poupança-reforma é trabalhar mais tempo, se tiveres capacidade e paciência para isso. Em Portugal, em 2026, a idade legal de acesso à reforma é de 66 anos e 9 meses, e este valor tem vindo a subir todos os anos, acompanhando o aumento da esperança média de vida: por exemplo, em 2027, sobe já para 66 anos e 11 meses.

Pedir a reforma antes da idade legal implica uma penalização significativa: em 2026, o corte é de 17,63% sobre o valor estatutário da pensão, através do chamado fator de sustentabilidade, ao qual se soma ainda uma penalização de 0,5% por cada mês de antecipação face à idade legal.

Por outro lado, adiar o pedido de reforma para depois da idade legal pode resultar numa bonificação sobre o valor da pensão, consoante o número de anos de descontos acumulados. Ao adiares o pedido, não só podes evitar estas penalizações, como também ganhas mais tempo para reforçar as tuas poupanças em contas de poupança-reforma e fazer crescer o teu pé de meia.

Concluindo

Poupar para a reforma pode ser desafiante em qualquer idade, mas é particularmente stressante quando começas mais tarde na vida. Fazer um balanço realista da tua situação atual e teres um plano que inclua investir em ações vai ajudar-te a avançar de forma significativa, mesmo com menos tempo pela frente.

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